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BESS · Mercado de Energia

Baterias podem aumentar em 60% os créditos da sua usina solar

Estudo da TR Soluções mostra como combinar BESS, Tarifa Branca e geração distribuída remota pode mudar o resultado financeiro de usinas conectadas ao subgrupo A4

BESS Tarifa Branca Geração Distribuída Subgrupo A4 Mercado de Energia

Se a sua empresa tem — ou está avaliando — uma usina solar remota para abater a conta de energia, vale prestar atenção a um número: mais de 60%. É o ganho extra em créditos de energia que um estudo recente da TR Soluções identificou ao combinar três coisas que, juntas, mudam o resultado financeiro do projeto: geração solar, armazenamento em baterias (BESS) e Tarifa Branca.

Não é projeção de fabricante de bateria torcendo pelo próprio produto. É matemática tarifária — e ela muda o cálculo de viabilidade de quem ainda está decidindo investir em geração distribuída (GD) remota.

O problema que a maioria das usinas remotas ainda não resolve

Uma usina solar gera energia durante o dia. Mas a empresa que se beneficia dela — via créditos de geração distribuída — muitas vezes consome no fim do dia ou à noite, quando a tarifa é mais cara.

Pelas regras de compensação da GD, quando a energia é usada no mesmo horário em que foi gerada, a relação é direta: 1 kWh gerado abate 1 kWh consumido. Mas quando o consumo ocorre em outro horário, o abatimento passa a seguir a relação econômica entre as tarifas de cada posto tarifário. Ou seja: gerar fora de ponta e consumir na ponta, sem nenhuma estratégia, tende a jogar contra o consumidor.

O que o estudo da TR Soluções mostra

A análise considerou usinas de geração distribuída conectadas ao subgrupo A4 (perfil de indústrias e grandes comércios) operando sob a Tarifa Branca. A lógica é simples de entender, mesmo sendo sofisticada na execução:

  1. A usina gera energia durante o dia, no horário fora de ponta — quando a tarifa é mais baixa.
  2. Em vez de injetar essa energia na rede imediatamente, ela é armazenada em baterias.
  3. No início da noite, no horário de ponta, a energia armazenada é injetada na rede — exatamente quando a tarifa é mais alta.

Como o sistema de compensação da GD considera a relação entre as tarifas dos diferentes horários, essa inversão muda o resultado a favor do consumidor. No estudo, a relação entre a tarifa de ponta (R$ 474,50) e a tarifa fora de ponta (R$ 295,27) resultou em um fator de ajuste de 1,61.

⚡ Na prática

Cada 1 kWh armazenado durante o dia e injetado na rede no horário de ponta pode gerar créditos suficientes para compensar até 1,61 kWh consumidos depois, fora de ponta. Esse "0,61 extra" é o ganho de mais de 60% nos créditos.

Por que isso importa para quem decide investir em GD remota

Para empresas A4 que avaliam usinas remotas, esse dado muda três coisas na conta:

🔌 Conexão com o marco regulatório do armazenamento

Esse tipo de estratégia ganha ainda mais força com as Resoluções 1.161 e 1.162/2026 da ANEEL, que regulamentaram os Sistemas de Armazenamento de Energia no Brasil. Quanto mais clara fica a regra do jogo para baterias, mais previsível fica o retorno desse tipo de projeto. Veja como o novo marco do armazenamento sinaliza para o mercado de BESS →

Um benefício que vai além da conta de luz

O estudo também aponta um ganho que interessa a quem pensa no projeto em escala: a injeção concentrada de energia armazenada no horário de ponta alivia a rede de distribuição e transmissão justamente quando ela está mais sobrecarregada. Isso ajuda a mitigar a chamada "curva do pato" — o desequilíbrio entre alta geração solar durante o dia e alta demanda à noite — e reduz o risco de sobrecargas no início da noite. Para o setor elétrico como um todo, esse tipo de resposta da demanda pode até reduzir a necessidade de contratação de reserva de capacidade pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).

O que avaliar antes de aplicar essa estratégia

Vale reforçar: o estudo é específico para um cenário — usinas remotas, subgrupo A4, Tarifa Branca. Antes de replicar a estratégia no seu negócio, alguns pontos merecem análise caso a caso:

Fator Por que importa
Perfil de consumo Quanto da energia da empresa é realmente consumida no horário de ponta determina o tamanho do ganho real.
Dimensionamento do BESS A bateria precisa ser dimensionada para capturar esse diferencial tarifário sem custo excessivo de capacidade ociosa.
Regras da distribuidora local Postos tarifários e fatores de ajuste variam por região — o resultado de 1,61 não é universal.
Enquadramento tarifário A estratégia depende da unidade estar (ou poder migrar para) Tarifa Branca no subgrupo correspondente.
🎯 A conclusão do engenheiro

Solar, bateria e Tarifa Branca, combinados, deixam de ser três decisões separadas e passam a ser uma única estratégia de maximização de crédito. Para empresas A4 com usina remota — ou para quem está estruturando um projeto de GD remota agora — esse é o tipo de detalhe técnico que pode definir se o investimento fica só "razoável" ou se vira claramente vantajoso. Antes de fechar o projeto, vale simular o perfil de consumo real da empresa para confirmar o ganho esperado.

Sua empresa tem perfil para essa estratégia?

Simulamos o impacto de solar + BESS + Tarifa Branca no seu perfil de consumo real, considerando as regras da sua distribuidora.

Falar com engenheiro
Haroldo M. Silva — Engenheiro de Energias Renováveis
Haroldo M. Silva
Engenheiro de Energias Renováveis — CREA/SP · Saewel Energia Solar

Especialista em projetos fotovoltaicos residenciais, comerciais e sistemas híbridos com armazenamento em São José do Rio Preto e região. Responsável técnico por emitir a ART de projeto e execução, e homologação de sistemas solares junto à concessionária de energia local.

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