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Legislação · ANEEL · Regulação

ANEEL e energia solar: o que mudou de 2024 a 2026?

As principais resoluções, normativas e mudanças regulatórias da ANEEL que impactam quem tem ou quer instalar energia solar no Brasil

ANEELLegislaçãoRegulaçãoREN 1000Marco SolarFio B
Marco Legal Solar
Lei 14.300
vigente desde 2022
Fio B
Cobrança progressiva
até 2029
Lei BESS
15.269/2025
armazenamento
Revisão tarifária
2025
ciclo CPFL/Elektro

A regulação da energia solar no Brasil passou por transformações significativas entre 2024 e 2026. Da implementação progressiva do Fio B à aprovação do marco do armazenamento, o setor ganhou novas regras que impactam diretamente a viabilidade financeira de sistemas fotovoltaicos residenciais, comerciais e rurais. Neste artigo, reunimos as principais mudanças em ordem cronológica e explicamos o que elas significam na prática.

O ponto de partida: a Lei 14.300/2022 e o Marco Legal da Geração Distribuída

Antes de falar sobre o que mudou, é preciso entender o ponto de partida. A Lei 14.300/2022 — o Marco Legal da Geração Distribuída — foi sancionada em janeiro de 2022 e representou a maior mudança regulatória do setor solar brasileiro até então. Ela consolidou as regras do sistema de compensação de energia (net metering), garantiu direitos aos consumidores com solar e criou um cronograma de transição para o novo modelo tarifário.

O ponto mais controverso da lei foi a introdução do Fio B — uma tarifa de disponibilidade de rede que passou a ser cobrada progressivamente de quem tem energia solar e usa a rede elétrica como "bateria virtual".

2024 — Início da cobrança do Fio B

Em janeiro de 2024, a cobrança do Fio B entrou em vigor para os sistemas solares instalados após janeiro de 2023. Sistemas instalados antes dessa data têm isenção garantida até 2045 — um direito adquirido importante que vale a pena documentar.

A cobrança funciona de forma progressiva:

Ano% do Fio B cobradoImpacto estimado na conta
202415%Baixo — R$ 15 a R$ 40/mês
202530%Moderado — R$ 30 a R$ 80/mês
202645%Crescente — R$ 45 a R$ 120/mês
202760%Significativo — R$ 60 a R$ 160/mês
202875%Alto — R$ 75 a R$ 200/mês
2029100%Pleno — R$ 100 a R$ 270/mês
⚠️ Atenção: sistemas instalados antes de 2023

Se você instalou seu sistema solar antes de janeiro de 2023, está protegido pela regra de isenção até 2045. Guarde todos os documentos da sua instalação — nota fiscal, ART e homologação da distribuidora — como comprovante do direito adquirido.

2025 — Lei 15.269: o marco do armazenamento de energia

A Lei 15.269/2025 foi aprovada em março de 2025 e regulamentou o armazenamento de energia no Brasil — um passo fundamental para o crescimento do mercado de baterias (BESS). As principais mudanças:

2025 — Revisão tarifária da CPFL e Elektro

Em 2025, as distribuidoras CPFL Paulista, CPFL Piratininga e Elektro passaram pelo processo de revisão tarifária periódica da ANEEL — um ciclo que ocorre a cada 4 a 5 anos. As revisões resultaram em reajustes que impactaram diretamente o payback dos sistemas solares da Região Noroeste Paulista.

Com tarifas mais altas, a economia gerada por um sistema solar aumenta proporcionalmente, tornando o investimento ainda mais atrativo. O payback de sistemas instalados após as revisões de 2025 ficou, em média, 6 a 12 meses mais curto do que o de sistemas instalados em 2022.

2026 — O cenário atual

Em 2026, o setor solar brasileiro opera com um arcabouço regulatório mais maduro e previsível. Os principais pontos de atenção para quem está considerando instalar solar agora:

📋 Ainda vale a pena instalar solar em 2026?

Sim. Apesar do Fio B, o payback médio para sistemas residenciais no interior paulista ainda fica entre 4 e 6 anos — muito abaixo da vida útil de 25 a 30 anos dos equipamentos. Quanto mais cedo instalar, menor o percentual do Fio B e maior a economia acumulada.

Perguntas frequentes sobre legislação solar

O Fio B vai inviabilizar a energia solar?+

Não. Mesmo com o Fio B em 100% em 2029, a energia solar continuará viável. A cobrança representa uma parcela da tarifa de distribuição — não da geração. O custo da energia solar própria ainda será muito menor que o custo de comprar energia da distribuidora integralmente.

Sistemas rurais também pagam o Fio B?+

Depende. Sistemas rurais conectados à rede (on-grid) seguem as mesmas regras. Sistemas isolados (off-grid) que não usam a rede elétrica estão isentos do Fio B — mas também perdem o benefício da compensação de créditos.

O que é a REN 1000 da ANEEL?+

A Resolução Normativa 1000 é o documento que consolida todas as regras de acesso e conexão de microgeração e minigeração distribuída às redes de distribuição no Brasil. Ela substituiu a histórica REN 482 e está em vigor desde 2021, com atualizações periódicas.

Créditos de energia expiram?+

Sim. Os créditos de energia gerados pelo sistema solar têm validade de 60 meses (5 anos) a partir do mês em que foram gerados. Após esse prazo, créditos não utilizados são perdidos. Por isso, o dimensionamento correto do sistema é fundamental.

Posso instalar solar em imóvel alugado?+

Tecnicamente sim, mas requer autorização expressa do proprietário e contrato de longo prazo. A lei permite que o sistema seja transferido para outra unidade consumidora caso o inquilino mude, mas o processo é burocrático. Para imóveis alugados, condomínios solares e cooperativas de energia são alternativas mais práticas.

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